1. Porque é você que eu amo! | Capítulo 8


    Encontro: 06/10/2017, Categorias: Heterossexual, Gêmeos, cego, Irmãos, Amigos, Amizade, Romance, Amor, BROMANCE, Gays / Homossexual, Gays / Homossexual, Autor: Di Ângelo, Fonte: CasadosContos

    Para pessoas como eu, que vivem no escuro, dificilmente algo passa despercebido. Mesmo que a gente não queira, muitas vezes nossa mente guarda informações lá do ínfimo da realidade, coisas que pessoas comuns, que vivem na luz e têm sua visão ofuscada pela mesma, não enxergam ou não querem enxergar e tentam não deixar os outros verem também. Meus pais são desse grupo de pessoas, e isso me enche de raiva. Eles não conseguem, ou melhor, não querem entender que não sou mais uma criança e sou dono de mim. Por mais que eu diga que já sou um homem feito eles continuam me tratando com se eu fosse um doente que precisa de cuidados vinte e quatro horas e rédea curta para tudo o que faz. Tudo bem, eu admito, ser chorão na minha idade é uma vergonha, mas me prender dentro de casa para me impedir de ir visitar meu melhor amigo já é um absurdo. Segundo eles, não estou bem o bastante para suportar a situação. Meu pau que eu não estou bem!! Fui eu que fiquei ao lado do corpo quase morto de um amigo pelos dez minutos mais agonizantes da minha vida. Fui eu que senti na pele o que é o medo de perder uma das pessoas mais para mim. Fui eu que tive mãos e roupas manchadas pelo sangue do melhor amigo. Eles não sabem de nada do que passei. Não sabem o que senti. Não sabem o quanto chorei e pedi para um milagre acontecer. Eles não sabem de PORRA ALGUMA! - Está tudo bem, querido? - ouvi minha mãe perguntar. "Claro...", pensei, sarcástico, "bem como um pássaro preso em uma gaiola." As gotas de água ... pingavam na pia em um frenesi irritante. Pelo som do relógio e o frio que rodeava meu corpo, eu diria que já estava aéreo há uns dez ou quinze minutos. Minha mão que segurava o garfo movia o talher preguiçosamente para cima e para baixo, cutucando a almôndega fofa no prato de espaguete à minha frente. Minha outra mão, pousada em meu colo, mandava leves fisgadas de dor pulsante através de meu braço, chegando ao ombro esquerdo e morrendo no meio da garganta. Desde o ocorrido no Porta di Roma essa tem sido minha rotina no jantar. Apesar das palavras animadas de papai sobre o seu dia no trabalho e das constantes e frustradas tentativas de minha mãe de puxar conversa comigo, durante aquela uma hora o silêncio era gritante, não só de mim como também do meu irmão. Ele andava mais quieto essa semana, porém também mais irritável. Do meu quarto, pude ouvir por vezes nosso pai e ele discutindo por alguma coisa que havia feito. Mas também pude notar, mesmo por cima dos berros e xingamentos que soltava ao vento quando já estava em seu quarto, que havia algo mais. Uma dor. Não dor física, mas em seu emocional. "Eu sei que tem algo de errado com você, Enzo. Se você ao menos me deixasse te ajudar...", pensei vagamente, prestando mais atenção à presença dele á minha frente. - Levi, você precisa comer - disse papai enquanto mastigava o que me pareceu ser uma das bolinhas de carne. - Sua mãe me disse que você mal se alimentou esta semana e passa a maior parte do dia trancado no quarto... - Eu ...
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