1. O nosso amor a gente inventa... 04 - Segunda Parte


    Encontro: 11/08/2017, Categorias: Gays / Homossexual, Gays / Homossexual, Romance; Gays / Homossexual; Gays / Homossexual; Despedida, Autor: Gordin.leitor, Fonte: CasadosContos

    De todo o amor que eu tenho. Metade foi tu que me deu. Salvando minh'alma da vida. Sorrindo e fazendo o meu eu. - CAPÍTULO – 04 – Segunda Parte xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Não pude acreditar de primeira, voinha repetiu o diagnóstico duas vezes, era câncer no intestino e estava em um estado tão avançado que o que deveria ser feito para salvá-la poderia mata-la muito mais rápido. Não conseguia acreditar no que ouvia, Caio segurava a minha mão enquanto ouvíamos a covardia que o destino aprontou com minha avó. Começou silencioso, como se fossem dores de barriga por ter comido algo estragado, depois veio o sangue nas fezes e por fim a dor, aguda, lacerante e enlouquecedora, ela não poupava os detalhes para que nós entendêssemos que sim, era o fim da linha pra ela. Não sei como eu ainda respirava, olhava para ela que parecia estar serena frente à inevitabilidade da morte. - Eu: Mas voinha, a senhora procurou outros médicos? - Voinha: Fui a Fortaleza fazer isso, não se lembra? - Eu: Mas nós achamos que eram apenas exames mais detalhados. – A verdade que essa ida em Fortaleza foi até bem rápida, ela ficou a maioria dos dias na casa de minha tia, só dormiu no nosso apartamento por uma noite. - Voinha: Meu filho, estou conformada. Se essa é a vontade de Deus, quem sou eu pra questionar? - Eu: Mas voinha a senhora não pode desistir! – Gritei nesse momento e Caio me pediu para ter calma. – Que calma Caio? Minha avó diz que está morrendo e pior, que ... desistiu de tentar se salvar e que quer morrer e eu preciso ficar calmo? - Caio: Mas amor, eu só quero que você se acalme e não grite com ela. - Nesse momento sim, eu passei a chorar copiosamente, ele me abraçava e ela apenas se recostou na poltrona me olhando calmamente. Além de tudo eu gritei com ela, fiquei com raiva por achar que ela havia desistido de tentar, que queria se entregar sem uma boa briga antes. - Voinha: Meu filho se acalme. Eu ainda tenho muito a lhe dizer. - Eu: Pois eu não quero... Ouvir... Se for pra falar que vai desistir! Não me fale! Voinha, pelo amor de Deus, como a senhora pode pensar em desistir! Em me deixar assim! - Voinha: Vocês jovens são sempre tão egoístas! - Havia certa amargura na voz dela – Acham que sabem de tudo, que nós mais velhos estamos sempre um passo atrás de vocês - Eu a encarava sem entender o que ela queria dizer com isso. – Meu filho o câncer está matando a mim e isso me dá o DIREITO de decidir como eu quero morrer! - Eu: Escolha viver voinha, por favor! - Voinha: Mas é exatamente por isso que parei o tratamento, por que escolhi viver o pouco que me resta com vocês, com a minha família. O médico me disse que para ter uma ínfima chance de sobrevivência eu teria que fazer cinco cirurgias, todas elas dolorosas e com chances de no máximo 25% de sobreviver a cada uma delas, se sobrevivesse teria que andar com uma bolsa de colostomia pelo resto dos meus dias. Sim por que eu já tenho 80 anos completos e nesses casos a sobrevida é de ...
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