1. O aniversário é dela, mas o presente é meu VI


    Encontro: 08/06/2017, Categorias: Lésbicas, Lésbicas, Gays / Homossexual, Autor: CanalhaNoturna, Fonte: CasadosContos

    Abracei Helena com força e sem pedir retribuição do prazer que eu a tinha dado, me encaixei em seu corpo, enquanto ela ainda estava em transe, fiquei fazendo carinho em seus cabelos esperando que se recuperasse. Helena passou alguns minutos em completo silêncio, e me pós a pensa que as vinte e quatro horas anteriores pareciam um filme mal feito de romance clichê. Mas, era real, ela estava ali, na cama, respirando profundamente, de olhos fechados, abraçada a meu corpo. Foi então que ela abriu os olhos amendoados e ficou a me encarar em completo silêncio, tanto que chegou a me assustar, mas é que duas pessoas não permanecem em silêncio por muito tempo, uma hora um silêncio engole o outro, e eu fui engolida pelas palavras de Helena. E ela foi logo dizendo ‘’tá pensando em mim¿’’, e eu realmente estava, e sabia que não ia parar de pensar tão cedo. De repente senti raiva e passei a me odiar e a pensar em como eu parecia uma presa fácil diante da beleza daquela mulher, em como uma só pessoa poderia ter tanto de mim em tão pouco tempo. Logo eu, habituada que estava a transas casuais, agora estava ali pensando que aquele era o momento certo de pedir pra ela ir embora, mas meu corpo não queria, imaginá-la atravessar a porta era incompatível com as vontades do meu coração. Foi minha vez de ficar em silêncio, enquanto ela esperava uma resposta satisfatória pra pergunta feita anteriormente, então falei ‘’não consigo não pensar’’ e ela sorriu satisfeita, enquanto isso meu corpo ... fervilhava entre raiva, desejo e vontade. O dia estava clareando e resolvemos dormir, a noite tinha sido pesada e o álcool dava sinais de ainda estar pulsando nas veias. Pegamos no sono, um sono tranquilo, o qual fazia tempo que eu não tinha. Veja bem, o trabalho com fotografias, a faculdade de artes visuais, e a administração de uma empresa herdada pela família era a minha sina diária. O dinheiro era suficiente pra ter uma vida mais do que boa. Mas a perda dos meus pais em um acidente de carro, a ausência de parentes e uma propensão ao abandono fizeram com que eu me enquadrasse em um mundo próprio, que só via luz em boates aleatórias da cidade nos finais de semana e que sempre terminavam em uma transa qualquer. Meu círculo de amigos se restringiam as antigas amigas de escola que agora faziam faculdades diferentes, Manoela fazia odontologia com Helena e Amanda se arriscara na engenharia mecatrônica. Com um circuito tão fechado de pessoas, a ideia de deixar alguém entrar na minha vida, pela porta da frente, brincando com meu cachorro e dormindo na minha cama, era algo realmente assustador. Meu coração era um deserto árido e inabitável. Minhas únicas paixões na vida tinham sido a arte e Manoela, que se tornara uma de minhas melhores amigas. Era complexo de fato, mas a presença e a energia de Helena tinham despertado algo em mim que estava completamente adormecido. Acordei e eram seis da manhã, depois de dormir exatas 3 horas de sono. Infelizmente, não pude me dar ao luxo de permanecer ...
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